Êxodo 32:1-35
No texto acima citado, encontramos uma situação enfrentada por Moisés que podemos caracterizar como um momento de crise.
Moisés havia subido ao monte para buscar a Palavra de Deus para o povo e, por demorar-se na presença do Senhor, o povo se corrompeu em seu coração, pedindo a Arão que lhes fizesse deuses a quem adorassem..
Quando Moisés retorna e encontra tal estado de coisas ele se vê diante de uma crise que exige providências compatíveis com a gravidade da situação.Que lições poderíamos tirar dessa experiência de Moisés que venham nos auxiliar na tomada de decisão em momentos de crise no nosso ministério?
Em primeiro lugar vemos as terríveis falhas de Arão como líder espiritual:
1. Manifestou um caráter fraco diante da pressão popular, mesmo sabendo que aquela atitude ia contra a vontade de Deus. – Arão não quis enfrentar a opinião pública declarando a malignidade do seu pedido.
Preferiu contrariar a vontade de Deus que havia se manifestado claramente em Ex. 20:3-5 a respeito de outros deuses e imagens de escultura do que assumir uma posição firme contra o erro do povo.
2. Mostrou infidelidade com seu líder Moisés, que lhe havia delegado a responsabilidade de cuidar do povo durante a sua ausência. – Precisamos tomar cuidado na escolha dos nossos auxiliares diretos.
Quantas vezes temos que ficar remediando situações criadas pelos nossos subordinados diretos no ministério? Precisamos saber em que mãos está o nosso rebanho na nossa ausência. A responsabilidade é nossa e não de Arão (32:7).
3. Não assumiu a responsabilidade dos seus atos. – (32:21-24) É mais fácil acusar os outros do que assumir a responsabilidade pelos nossos atos. Mais uma vez o caráter de Arão foi provado e mostrou-se fraco, pois não foi capaz de assumir sua culpa, pelo contrário a transferiu para o povo.
Em seguida vamos avaliar as circunstâncias e as atitudes de Moisés diante da crise:
1. “...Moisés tardava em descer do monte...” – A importância da presença do líder. Em Pv. 27:23 o sábio diz: “Procura conhecer o estado das tuas ovelhas, e cuida dos teus rebanhos”.
Na versão corrigida diz: “...põe o teu coração sobre o gado”. Temos que ser sábios até mesmo quanto ao tempo que separamos para buscar a Deus para não deixarmos o rebanho à mercê de obreiros desqualificados ou até mesmo sob o risco do ataque de lobos.
2. A importância da intercessão de um líder. (32:11-14). – Nossa intimidade com Deus é fator determinante para a benção ou maldição sobre nossas ovelhas. Moisés tinha autoridade espiritual para interceder pelo povo ainda que este estivesse em pecado e assim fazer mudar a atitude de Deus.
3. A importância de se manter o controle emocional. (32:19). – É certo que o que levou Moisés a quebrar as tábuas da Lei foi a indignação pelo pecado, porém isso lhe trouxe problemas posteriores (34:1-3). O domínio próprio e a mansidão são aspectos do fruto do Espírito e nessa área Moisés precisava de tratamento, pois foi exatamente por isso que ele ficou impedido de entrar na terra prometida. Ainda que a ira de Moisés tenha sido por motivos legítimos, contudo o ministro de Deus precisa se controlar diante das crises e momentos difíceis.
4. A coragem de enfrentar os mais próximos, até mesmo os familiares, quando a honra e a palavra de Deus estão em jogo. – Muitas vezes um pastor ou dirigente tem uma postura com os membros de sua igreja e outra com os seus filhos ou parentes. Uma das qualidades mais importantes num líder é a imparcialidade com que se comporta diante das situações, não importando quem são os envolvidos. Somos tentados a sermos rigorosos com as ovelhas e, digamos, “flexíveis” com os parentes ou amigos.
5. A coragem de adotar soluções radicais, que não permitam a continuidade do erro. (32:25-28) – Para se tratar uma ferida é preciso limpá-la, espremê-la, colocar o medicamento em cima, e isso, geralmente, é um processo doloroso. O líder não pode ter medo de adotar atitudes firmes nos momentos de crise. Não se resolvem problemas escondendo-os debaixo do tapete nem “empurrando com a barriga”. Um erro crasso na vida de um líder é a procrastinação, isto é, ficar adiando decisões que são urgentes e necessárias.
6. A coragem de adotar medidas drásticas quando necessárias não exclui a atitude de amor, compaixão e de intercessão pelo rebanho. (32:30-32) – Nosso Deus corrige a quem ama. Correção sem amor é atitude de raiva e ira. Correção amorosa, visando conserto e não destruição, edifica e restaura. A correção não pode magoar mais do que o erro cometido. Temos que levar nossas ovelhas a sentir a dor pelo pecado cometido mas também a pedir a misericórdia do Senhor. Não podemos nos esquecer que “Justiça e juízo são a base do seu trono; mas a misericórdia e verdade vão adiante do seu rosto”. (Sl.89:14). A misericórdia sempre chega antes que o juízo.
7. E, finalmente, destacamos a necessidade de se assumir uma posição de retorno ao propósito de Deus. (32:33-34) – É preciso voltar para o centro da vontade de Deus. Ele disse a Moisés:
“Vai, pois, agora, conduze este povo para onde te tenho dito;...”. Não podemos desistir nem nos desviarmos do alvo proposto por Deus. Nossa responsabilidade é levarmos o povo para a terra prometida. Quando há conserto Deus renova Sua aliança com Seu povo.
Que Deus nos ajude a sermos líderes segundo o coração de Deus, que não compactuem com o erro e com o pecado, mas que tenham sabedoria em tomar as decisões que sejam necessárias com amor e compaixão.
No amor de Cristo Jesus
Autor:
Pastor Leonardo Meyer |